

Fotografia & Educação
Fotografar e viajar são quase o mesmo gesto. A câmera me faz demorar um pouco mais nos lugares, reparando na luz de cada hora e guardando o mundo tal como estava no dia em que o vivi.
Já visitei mais de 20 países, a maioria deles viajando sozinha, e conhecer o mundo a sós foi uma das grandes descobertas da minha vida adulta.
Viajar é um combustível da minha vida criativa.
Algumas das cenas que mais guardo vivem só na memória, sem nenhuma fotografia. Foi assim em Rishikesh, onde passei uma temporada e assisti todos os dias ao Aarti, a cerimônia de fogo diante do rio Ganges, ao lado de uma amiga que conheci na Índia e que se tornou uma grande companheira de viagem. E essa é só uma das muitas histórias...

Cresci numa casa onde havia música e onde as palavras eram levadas a sério. Prestar atenção é algo que faço desde pequena: nas formas, nos silêncios, no que as coisas dizem quando ninguém está falando.
Sou formada em Design Gráfico e em Fotografia, e essas duas disciplinas funcionam, em mim, como uma linguagem só. Moldaram a minha forma de ver, de escolher, de estar no mundo. Estão presentes em tudo que faço, mesmo quando o que faço não tem nada de visual. Aprendi cedo que olhar é um gesto ativo, e que aquilo que escolhemos enquadrar diz muito sobre o que somos.
Ensinar cria sempre um espaço de partilha. Cada turma tem perguntas que eu ainda não tinha feito, e é nesse encontro que nascem abordagens novas e que conceitos que eu dava por resolvidos voltam ao debate para serem revistos. Depois de mais de 20 anos em sala de aula, saio de quase todas as aulas pensando alguma coisa de um jeito diferente do que pensava ao chegar.
A curiosidade e a disposição de continuar aprendendo sempre me levaram mais longe do que qualquer certeza de já saber. Como costumava dizer Frank Zappa: “A mente é como um paraquedas. Só funciona depois de aberta.”

Sou criadora do Projeto Código Azul, onde ensino Cianotipia. É um processo de impressão fotográfica em que uma folha sensibilizada com sais de ferro, exposta ao sol e lavada em água, revela uma imagem em azul.
Criei o projeto como uma extensão do meu interesse pela Fotografia e pelos seus processos mais lentos e artesanais.
Há algo nos processos manuais e imprecisos que me interessa profundamente. O resultado nunca é exatamente o que se planeja, e isso, descobri, tem muito a ensinar sobre a vida.
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